sexta-feira, 15 de maio de 2009


Um certo deus do acaso
Juntou-nos no súbito apelo do amor.
E a partir de então, li nos teus olhos
Mágicos a exacta respiração da
Eternidade.


a.r.T.

domingo, 10 de maio de 2009

Sóchego?


"Quando não encontramos o repouso em nós próprios, é inútil ir procurá-lo noutro lado."
Autor: La Rochefoucauld , François

Borred as hell, é tudo aquilo a que reduzo este momento em que, entre outras coisas, o FCP se sagra Campeão e uns andam por ali e outros por além.

Se é inútil procurar um pouco de algo que não possuo por mim mesmo, resumo que ou não tenho grande coisa ou não sei dar valor ao que tenho. Inclinado para a segunda opção vou ver se me perco para ver se alguém me encontra.


A.r.t.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

A força do solo


Do abrir dos olhos e acordar até ao os fechar para ir dormir é sempre a partir do nosso ponto de vista que nos é dado agir ou interagir com os outros, mas aquilo que verdadeiramente somos é, em grande parte, uma importação - ou pelo menos possui elementos que já existiam mesmo antes de nós mesmos.

O que determina a forma ou vontade desses elementos em nos é por vezes dito se resumir a alma ou físico-química pelos menos em algum grau e se uma mente aberta é acima de tudo o movimento em si que antecede a acção ou seja aquela materialização da ideia que ainda antes de se iniciar, já está em nós reunido mas não concretizado. Se somos feitos das matérias já existentes e se possuímos coisas como ouro e carga eléctrica como parte do nosso todo é curioso que sejamos apenas uma diferente composição de algo tão antigo como os elementos que nos compunham e no entanto tão diferentes no modo de ser sem no entanto me parecer que sejamos capaz de ir além do que à partida já é tão imenso e grandioso. Talvez seja mesmo um ciclo do solo com algumas outras variantes de acção e isso não passe de um preconceito que tenho para com tudo e todos.

A.r.t.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Best Lap Time


Acabo de entrar na via de desaceleração que serve esta interminável auto-estrada do dia-a-dia sempre a 100/h, e já tenho em mente aproveitar para reabastecer e esticar um pouco as pernas e qui ça mesmo comer algo rapidamente enquanto leio um pouco ou vejo as noticias.

É que isto de andar sempre de um lado para o outro no limite e com a mente sempre a transportar cargas cada vez mais pesadas revela muito sadismo e masoquismo ao mesmo.

Até aqui nada de novo mas o tempo já nós deu exemplos de como somos capazes de inovar quando menos se espera e se por vezes só constatamos o que somos ou fazemos pelos resultados ou por elementos externos, este imposto ao consumo que pagamos por fazermos parte activa desta sociedade, anda hoje muito mal de saúde e moral, se o que pagamos durante a procura de nos concretizarmos é no fundo em parte resultante do que procuramos há que ter isso sempre em consideração embora eu ache que este crescente endividamento resulta de uma procura sem conta nem medida de um animal cego e muito burro que também se manifesta na nossa pessoa. Começo a ficar habituada a me transfigurar, e este ser sinistro que me torno pontualmente e que desperta alguma simpatia, não por ter perdido os traços que me define como ser Humano mas por ser capaz de transportar em mim a própria perdição anunciada e que não sendo aquela que é obvia e incontornável não deixa por vezes mesmo de ser resultado de plano maior, e que é comum a todos nós.

Os Heróis nas tragédias da antiguidade clássica trabalhavam tal e qual Hércules e calculavam as suas acções antecipadamente como um Zeus no monte Olimpo. Podendo até ser uma imagem interessante no entanto levou a concluir que ao mesmo tempo para precisar melhor as suas jogadas abdicaram de uma certa sensibilidade em nome de um maior rigor ou precisão e no entanto acho que começaram a se tornar claro que não se pode ir muito mais além sem que pelo menos alguma mudança significativa ocorre-se e essa mensagem, tendo chagado até nós, perdeu-se.

Se vivemos em tempos complexos onde a realidade já tomou uma dimensão que há muito ultrapassa a nossa capacidade de a assimilar e muito menos de a podermos operar como muitos pelos menos o ousam enunciar talvez haja a necessidade de pensar em uma mudança de mudanças. No entanto devido a transição de auto-suficientes e autónomos, passamos a ser interdependentes com laivos de egoísmo para nos conseguirmos distinguir dos demais.

Este exercício estilístico a que no fundo resumo o nosso egoísmo tal como o preço dos nossos pecados ou virtudes, não passa de algo que podendo ou não escapar, mas não deixa de ser apenas a camada de verniz que impede que a tinta estale e assim vamos mantendo tudo no lugar aparentemente a questão é qual é a importância do verniz no todo.

P.S Não acredito que a vida seja uma luta constante mesmo que isso não passe de uma metáfora para o trabalho, acredito sim que a vida obriga a muito trabalho mas não obstante o mesmo deve ser temperado com algo muito mais importante do que aquilo que de mais nobre habite nessa actividade humana profundamente funcional. Não de forma redutora trabalhadores com caprichos mas sim caprichos e muitas outras coisas mais que trabalham.


A.r.t.

terça-feira, 31 de março de 2009

Pensamentos na Sanite


Sentado no trono e enquanto leio um diário desportivo, fico com a impressão de que quando alguém se refugia neste paraíso moral de não ter a principio um juízo formando, no fundo reconhece que não passa de um eterno escapista "Nunca pensei acerca disso" ou seja lá a forma que isso tome, só pode ser a bem da verdade uma lacuna diplomática para lidar com uma qualquer dificuldade presente, com a qual se está confrontado e conformado ou uma hipocrisia de cara tão deslavada que até mete nojo.

Ainda pior é ter presente que até poderia ser um óptimo inicio de conversa, mas dita a regra que seja o fim da mesma tal e qual um balde de merda e mijo sobre uma mesa farta, digo isto pois na minha "nada" modesta opinião a ignorância alimenta-se de duas coisas, ou de nós o que resulta numa barriga farta de miséria ou numa partilha aberta e franca com o outros.

Acho então que o grande responsável começa por ser esse reconhecimento inglório do que alguns ousam chamar intimidade e eu apenas descrevo aqui como o imenso vazio de possuir algo que não se utiliza ou que simplesmente se instrumentaliza a gosto dos caprichos a que todos nós somos sujeitos. E por também sermos muito conscientes quanto ao nosso lado menos luminoso estar presente sempre a coca do momento certo para agir ou nada fazer, é que nada fazer as vezes resulta ainda melhor como acto de desconstrução do que o próprio acto de desconstruir, perde-se algo ali que seria deveras interessante um dia se ver, que leitura a ciência faria desse acto tão comum no ser Humano.

Enfim o alivio resultante de desempenhar uma parte do todo que é este ciclo de comer e cagar, e que resulta em dois enormes prazeres: um que é o de comer algo delicioso e outro que passa por soltar a tripa sem contenção. É deverás criativo no mínimo e só assim se compreende que tanta merda salta da nossa sanite e da sanite alheia e borre o azulejo das casas de banhos públicos e todos aqueles lugares onde nos recolhemos todos nós mais tarde ou mais cedo, com maior ou menor vigor.

Dou vivas a todos os movimentos ortocólico, gastrocólico e os demais estímulos que ajudam a eliminar tudo aquilo que não absorvemos e que alguns teimam em expulsar de si mesmo sem nada na barriga.

P.S.- A merda não é vilã, e se alguns até a tratam por desconhecida é porque no fundo reconhecem que é infelizmente ou felizmente a graça daquilo com que de mais saudável ousa contribuir para a sociedade.

A.r.t.

Elogio ao "O Elixir do Pajé"


Devo por bem transcrever uma enorme verdade de Bernardo Guimarães :

"Que tens, caralho, que pesar te oprimeque assim te vejo murcho e cabisbaixosumido entre essa basta pentelheira, mole, caindo pela perna abaixo?

Nessa postura merencória e tristepara trás tanto vergas o focinho, que eu cuido vais beijar, lá no traseiro, teu sórdido vizinho!

Que é feito desses tempos gloriososem que erguias as guelras inflamadas,na barriga me dando de contínuotremendas cabeçadas?

Qual hidra furiosa, o colo alçando, co'a sanguinosa crista açoita os mares, e sustos derramandopor terras e por mares, aqui e além atira mortais botes, dando o co'a cauda horríveis piparotes, assim tu, ó caralho, erguendo o teu vermelho cabeçalho, faminto e arquejante, dando em vão rabanadas pelo espaço, pedias um cabaço!

Um cabaço! Que era este o único esforço, única empresa digna de teus brios; porque surradas conas e punhetassão ilusões, são petas, só dignas de caralhos doentios.

Quem extinguiu-te assim o entusiasmo? Quem sepultou-te nesse vil marasmo? Acaso pra teu tormento, indefluxou-te algum esquentamento? Ou em pífias estéreis te cansaste, ficando reduzido a inútil traste? Porventura do tempo a destra iradaquebrou-te as forças, envergou-te o colo, e assim deixou-te pálido e pendente, olhando para o solo, bem como inútil lâmpada apagadaentre duas colunas pendurada?

Caralho sem tensão é fruta chocha, sem gosto nem cherume, linguiça com bolor, banana podre, é lampião sem lumeteta que não dá leite, balão sem gás, candeia sem azeite.

Porém não é tempo aindade esmorecer,pois que teu mal ainda podealívio ter.

Sus, ó caralho meu, não desanimes,que ainda novos combates e vitóriase mil brilhantes glóriasa ti reserva o fornicante Marte, que tudo vencer pode co'engenho e arte.

Eis um santo elixir miraculosoque vem de longes terras, transpondo montes, serras, e a mim chegou por modo misterioso.

Um pajé sem tesão, um nigromantedas matas de Goiás,sentindo-se incapazde bem cumprir a lei do matrimónio, foi ter com o demónio, a lhe pedir conselhopara dar-lhe vigor ao aparelho, que já de encarquilhado,de velho e de cansado, quase se lhe sumia entre o pentelho. À meia-noite, à luz da lua nova, co'os manitós falando em uma cova, compôs esta triagade plantas cabalísticas colhidas, por sua próprias mãos às escondidas.

Esse velho pajé de pica mole, com uma gota desse feitiço,sentiu de novo renascer os briosde seu velho chouriço!

E ao som das inúbias, ao som do boré,na taba ou na brenha, deitado ou de pé, no macho ou na fêmeade noite ou de dia, fodendo se viao velho pajé!

Se acaso ecoandona mata sombria, medonho se ouviao som do borédizendo: "Guerreiros, ó vinde ligeiros, que à guerra vos chamaferoz aimoré", assim respondiao velho pajé, brandindo o caralho ,batendo co'o pé :- Mas neste trabalho, dizei, minha gente, quem é mais valente, mais forte quem é? Quem vibra o marzapocom mais valentia? Quem conas enfiacom tanta destreza? Quem fura cabaçoscom gentileza?"

E ao som das inúbias, ao som do boré, na taba ou na brenha, deitado ou de pé, no macho ou na fêmea, fodia o pajé.

Se a inúbia soandopor vales e outeiros, à deusa sagradachamava os guerreiros, de noite ou de dia, ninguém jamais viao velho pajé, que sempre fodiana taba na brenha, no macho ou na fêmea, deitando ou de pé, e o duro marzapo, que sempre fodia, qual rijo tacapea nada cedia!

Vassouras terríveldos cus indianos, por anos e anos, fodendo passou, levando de rojodonzelas e putas, no seio das grutasfodendo acabou! E com sua mortemilhares de gretasfazendo punhetassaudosas deixou...

Feliz caralho meu, exulta, exulta! Tu que aos conos fizeste guerra viva, e nas guerras de amor criaste calos, eleva a fronte altiva; em triunfo sacode hoje os badalos; limpa esse bolor, lava essa cara, que a Deusa dos amores, já pródiga em favores hoje novos triunfos te prepara, graças ao santo elixir que herdei do pajé bandalho, vai hoje ficar em péo meu cansado caralho!

Sus, caralho! Este elixirao combate hoje tem chamae de novo ardor te inflama para as campanhas do amor! Não mais ficará à-toa, nesta indolência tamanha, criando teias de aranha, cobrindo-te de bolor...

Este elixir milagroso, o maior mimo na terra, em uma só gota encerra quinze dias de tesão...Do macróbio centenário ao esquecido mazarpo, que já mole como um trapo, nas pernas balança em vão, dá tal força e valentia que só com uma estocada põe a porta escancarada do mais rebelde cabaço,e pode em cento de fêmeas foder de fio a pavio, sem nunca sentir cansaço...

Eu te adoro, água divina,santo elixir da tesão, eu te dou meu coração, eu te entrego a minha porra! Faze que ela, sempre tesa, e em tesão sempre crescendo, sem cessar viva fodendo, até que fodendo morra!"

Admirável Mundo Velho ;)


A.r.t.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Torre Vã


Por vezes apetece-me perder-me. Ausentar-me durante horas, entrar num mundo vácuo, e descobrir uma torre vã perdida em frente ao mar. A ruína de uma antiga fortaleza que, como um sentinela adormecido, ali perdura num passo sonâmbulo e estático. Um espaço vazio com apenas uma porta para um promontório onde se pode adivinhar o mundo. E então, olhar o céu e emocionar-me. Sem medos, sem condições, espalhar ao mundo a minha vida interior, e num encanto celestial ouvir um murmúrio perpétuo – como se as estrelas falassem, conspirassem entre si.


a.r.T.