terça-feira, 23 de junho de 2009


Baixinho o murmúrio da ausência
atormenta a doçura do sonho.
Mas a lembrança dos
teus lábios, numa
torrente de beijos,
desperta-me do torpor
e conquista-me de novo.

És o meu pedacinho de sonho.


a.r.T.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ideias de Facto


Visto o olhar com a vertigem do sono, calço um ou dois copos bem cheios e corro para a rua antes mesmo de ser a hora marcada. Oh pá não te armes em cavalo de corrida que sinto a sela a deslizar dorso a baixo, tenho mesmo é que apertar o cinto. Oiço o vento e aquele silencio diz-me que mesmo antes de levar com o ar fresco da noite, o desastre espera-me e o seu acidentado amigo, que tarda mas não falha, meto a mão no bolso e vejo que trouxe de facto comigo pouco mais do que ideias, mas não faz mal hoje gasto menos amanha gasto mais, haverá um dia certamente mais selva do que animais ?


A.r.t.

Mioclonias do Adormecer


Um grande amigo meu tem, recorrentemente, um sonho em que voa. De repente levanta voo, qual avião, qual super-homem, e começa a percorrer os céus. Até que, numa vertigem inesperada, tem que se agarrar a um poste com medo de cair. Acorda e cisma durante horas.

Esta noite sonhei com algo semelhante. Num instante estava deitado na minha cama e noutro estava a voar. Ganhei as capacidades de um pássaro, voando sob o céu laranja e roxo. Rajadas de vento enrolavam-se à volta das minhas asas ateando um fogo que parecia irromper em labaredas. A amplitude das minhas acções era infinita. Comecei a subir alto, bem alto, querendo penetrar mais longe e mais fundo no céu. Um voo interminável, varrendo todas as direcções. Subitamente aterrei de novo dentro do meu corpo e desci até à ponta dos dedos das mãos e dos pés, e dei comigo ainda na cama, estendido, de olhos fechados. Toquei no meu corpo e senti a falta das minhas asas. Para onde tinham ido elas? Desperto de mim e, olhando para tudo o que me rodeava, percebo que a vontade alada e inatingível que saiu de todo o céu me entrou verdadeiramente para a alma. Nesta hora de sensações confusas abro asas mas não me movo. Voo lento dentro de mim...


(Não, não fumei nada hoje!)


a.r.T.

Elogio da Profanação


Nas minhas raríssimas (?) incursões pela noite assisto com deleite a um novo e extraordinário fenómeno de inversão de papeis: as mulheres ao ataque. Cínicas e perversas, mestres na arte da caça, as mulheres seguiram um novo caminho. Têm todos os direitos e nada têm a dar aos seus adoradores. Nada obriga-as a cumprir o seu dever para com eles nem a representar o seu papel no contrato natural entre os sexos. Quais deuses da antiguidade? A especial indisponibilidade que as reserva exclusivamente aos deuses celestes. Percebendo o seu poder, a mulher começou a recusar o que deseja e exige um pequeno espectáculo de horror antes de decidir qual o espécime que vai abocanhar. Quando não se dá o caso de querer apenas divertir-se com o digladiar de trunfos e rasteiras dos servos a seus pés. É preciso ver sangue na arena: garras de fora e mais uma presa à beira do precipício.

E os homens todos desesperados numa correria louca e desenfreada atrás das Cárites. É preciso avançar e conquistar seja como for e deixar os outros concorrentes para trás. «As minhas penas de pavão são mais bonitas que as tuas.»

Eu gosto de observar. Pelo menos não me sinto aborrecido. Rio-me das figuras dos outros. E no decorrer deste espectáculo as pessoas acabam por tirar a máscara. Ou colocam mais uma. É o jogo das aparências. Nada parece o que é e tudo se parece ao mesmo tempo com diversas outras coisas. É um fenómeno incrível, digno de ser contemplado com a crosta de banalidade evidente que os nossos olhos já se habituaram a ver. Uma coisa artificial, arranjada, levemente monstruosa, mas estranhamente divertida.

Contactos humanos banais que chegam às raias do absurdo.


a.r.T.

sábado, 13 de junho de 2009

Acho que pode ser ainda melhor...


Por um momento mesmo que não me consiga expressar, que dessa singular consciência nasça algo que nos consiga aproximar ainda mais...


A.r.t.

quarta-feira, 10 de junho de 2009


Hoje estou INSEGURANTE!

terça-feira, 9 de junho de 2009


Eu grito por ti. Mas tu não escutas.
Eu grito por ti. Mas tu ignoras-me.
Devolve-me o coração!


a.r.T.